Não é nada do que você está pensando. Não é nada de trocadilho ou piadinha de mau gosto. O buraco é mais embaixo. A questão é outra. O furo da bala é em outro lugar.

O tema que eu quero falar aqui é de política. E não quero confusão. Quero dizer apenas o óbvio. O problema é que até o óbvio tem ficado meio escondido no meio de tanta bagunça.

Quando se diz que vivemos num momento de radicalização política, se diz certo. Mas é necessário ir além, identificar o que isso pode ter de bom. E não é tão difícil assim.

Quando era criança, política era um assunto chato. Ninguém gostava. E quem gostava era chato. Hoje não, o interesse pela política deve estar nos níveis mais altos da história. Você-sabe-quem diria que “nunca antes na história desse país” os assuntos de interesse público foram tão discutidos pelo cidadão comum. Esse é o primeiro ponto bom.

A partir desse, vêm outros. Como todos estão perplexos com o que está acontecendo em Brasília – e com o dinheiro público – o momento é propício para algo que os casais chamam de DR. Discutir a relação. Está na hora de fazermos uma espécie de DR com a política.

Fazer uma DR não é encaminhar o divórcio. É identificar o que não está bem no relacionamento e corrigir. Não é fácil. Requer muitas virtudes. Coragem, honestidade, humildade, paciência, perdão, grandeza, só pra citar algumas.

Fazer uma DR com a política é falar sobre os assuntos que não gostamos, mas sabemos que devem ser enfrentados. É falar sobre coisas desagradáveis aos políticos em geral e de certa forma a nós mesmos. É por a mão na consciência e dar uma resposta àquelas perguntas que damos um jeito de fingir que não são importantes.

Alguns exemplos vêm facilmente à cabeça de todos nós.

  • Por que obrigar o eleitor a votar?
  • Quem realmente banca político?
  • Por que o cidadão comum com boas intenções não tem a menor vontade de se candidatar em uma eleição?
  • Por que o cidadão comum não se sente representado pelos políticos?
  • Qual a responsabilidade do eleitor por essa crise toda?
  • Quem é que vai pagar a conta dessa crise (e das demais que virão)?
  • Os partidos políticos são realmente necessários?
  • Qual o vínculo entre a elevada carga tributária e a sonegação fiscal?
  • Qual o papel do “jeitinho” nisso tudo?

São todas boas perguntas e que precisam ser enfrentadas.

Pra terminar, um pouco de vida pessoal.

A última vez que tive que fazer uma DR no meu relacionamento foi cansativa. Mas não me arrependo. Após ouvir o que não queria, falar o necessário, algumas caras feias, um pouco de mágoa, lágrimas e até um ou outro tom de voz elevado, o relacionamento conjugal foi lindamente restaurado. Foi um ganha-ganha. O amor voltou a reinar.  (Pelo menos, até a próxima DR).

A DR com a política será longa, mas será proveitosa. A hora de fazê-la é agora.

Advertisements

Please leave a comment

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s